Ricardo Guimarães
24 abril 2011
16 abril 2011
Ser ou não Ser: Os Limites da Loucura e da Razão
A partir da história de uma mulher esquizofrênica que viveu mais de 20 anos em um lixão, Viviane Mosé mostra como a filosofia e a civilização separam a razão da loucura
Esperança, do Verbo Esperançar!
Quando o filósofo Mario Sérgio Cortella fala, não há muito mais o que se acrescentar! Então transcrevo abaixo, na íntegra, o texto "A resignação como cumplicidade" que é tão incisivo em tentar despertar nosso sentimento de responsabilidade.
O escritor suíço Denis de Rougemont, um arguto defensor da unidade européia e, especialmente, um estudioso da ocidentalidade, disse algo (em meados do século passado) que inspirou discursos conhecidos de muitos políticos: "A decadência de uma sociedade começa quando o homem pergunta a si próprio: ‘O que irá acontecer?’, em vez de inquirir: ‘O que posso fazer?’".
A decadência (seja ela na sociedade mais ampla, seja em quaisquer instâncias, como família, trabalho, política etc.) principia quando o imperativo ético da ação é substituído pela acomodação e pela espera desalentada, isto é, quando se abre mão do dever que emana da liberdade e exige, para ser exatamente livre, uma intervenção consciente. Isso é lembrado em razão de um sorrateiro entorpecimento que acomete a muitos, aniquilando pouco a pouco a capacidade de reagir e de apontar como fora de lugar muitas coisas que parecem encaixar-se, sem arestas, na vida cotidiana e que precisam ser fortemente rejeitadas, de modo que esta não dê lugar ao abatimento que apenas aguarda, em vez de buscar provocar resultados.
Estamos nos acostumando —com rapidez e sem resistência ativa— com alguns desvios que parecem fatais e inexoravelmente presentes, como se fizessem "parte da vida": violência, desemprego, fome, corrupção e outros. É a prostração como hábito! E o conveniente pesar estampado no rosto e nas palavras para disfarçar uma simulada impotência individual mas que, no fundo, é expressão de um egonarcisismo indiretamente conivente. Tão confortável assim pensar... Lembre-se, então, de Fernando Pessoa, para o qual "na véspera de não partir nunca, ao menos não há que arrumar malas".
Pode-se argumentar que, felizmente ainda há muita esperança. Mas, como insistia o inesquecível Paulo Freire, não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos neste momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações, as pessoas acham que não há mais jeito, que não há alternativa, que a vida é assim mesmo... Violência? O que posso fazer? Espero que termine... Desemprego? O que posso fazer? Espero que resolvam... Fome? O que posso fazer? Espero que impeçam... Corrupção? O que posso fazer? Espero que liquidem... Isso não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo. E, se há algo que Paulo Freire fez o tempo todo, foi incendiar a nossa urgência de esperanças.
Seria possível também usar aqui palavras como desalento, desânimo ou até covardia tolerante. Júlio Cortázar, o argentino que deu novos contornos à prosa latino-americana dos anos 60 em diante, afirmava que "a covardia tende a projetar nos outros a responsabilidade que não se aceita". Ou, pensado de outra forma, visite-se o romancista francês Jules Renard, com sua obra permeada por ironias cruéis (uma delas, aqui representada em 1957 por Cacilda Becker com o nome de "Pega-Fogo"): "Dando ouvidos apenas à sua coragem que nada lhe dizia, ele absteve-se de intervir".
Por isso resignar-se é, de forma contundente, concordar involuntariamente ou até ser cúmplice passivo. Melhor ficar com o vaticínio de André Destouches, compositor e diretor artístico da Ópera de Paris no reinado de Luís 15; o músico, especializado em tragédias líricas (como as que muitos pensam estar vivendo), advertia que "os ausentes nunca têm razão".
Esse texto faz parte do livro de provocações filosóficas "Não Nascemos Prontos".
Em uma comunidade do orkut também achei essa citação "...Nossa tarefa no mundo é Mandelar, MadreTerezadeCalcutear, ZumbidosPalmeirear, ChicoXavierar, ou seja, transformar em verbo os grandes homens e mulheres que lutaram contra qualquer forma de discriminação"
Erica Fernandes
05 abril 2011
25 março 2011
4ª MOSTRA JUVENIL DE
ARTES CÊNICAS DE SUZANO
ARTES CÊNICAS DE SUZANO
A Prefeitura de Suzano, por meio da Secretaria de Cultura, promoverá nos dias 8, 9, 10, 11, 15, 16, 17, 18, 19 e 20 de julho de 2011 a 4ª Mostra Juvenil de Artes Cênicas de Suzano.
A Mostra objetiva estimular os processos de criação e, por conseqüência, movimentar o pensamento cultural no município, divulgar novos talentos, valorizar as artes cênicas e incentivar as manifestações culturais.
20 março 2011
Scientific American Brasil
A Origem Filosófica das Ciências Ocidentais
Não há verdadeira evolução do conhecimento sem o pensamento e a reflexão
Que as nossas ciências nasceram com os antigos gregos, parece um fato estabelecido. Mas, o que pouca gente sabe é que elas tiveram sua origem e desenvolvimento no seio das primeiras escolas filosóficas (entre os séculos VI e V a. C.). Assim, mesmo trazendo elementos herdados do Oriente (Egito, Caldéia...), as ciências surgidas no Ocidente trazem a marca do espírito crítico e especulativo dos filósofos - os responsáveis, no campo do saber, pelo movimento de ruptura com o mundo mágico-religioso e seus “mestres da verdade”. De início, é mesmo difícil dizer onde termina a filosofia e onde começa a ciência, embora Aristóteles tenha procurado diferenciar as ciências “teoréticas” (as dos princípios e das causas, tal como a filosofia) das ciências “práticas” (ligadas à experiência e com fins mais utilitários). De qualquer forma, ainda não se pode falar, nesta época, de uma ciência experimental – tal como hoje a concebemos.
De fato, será preciso chegar ao século XVI (ou mesmo ao XVII) para que as ciências assumam definitivamente sua orientação prática, amparada na experimentação. Galileu – símbolo da ciência moderna – será responsável (juntamente com o filósofo Descartes) por lançar as bases deste novo saber. De certa forma, embora estas novas ciências sejam mais autônomas que as antigas, elas permanecerão herdeiras conceituais da filosofia. Sem dúvida, muitos estudiosos defendem a tese de que a “razão ocidental” é uma invenção dos gregos. Correta ou não, a questão é que as ciências realmente receberam seus princípios e fundamentos da filosofia – e isto abrange desde a noção de verdade, como coisa em si absoluta, até os seus métodos de investigação (é preciso lembrar que a indução e a dedução já eram objetos de análise da filosofia antiga).
Mas, é claro que- desde meados do século XIX, com o positivismo – a filosofia já não ocupa mais o seu posto de ciência maior e mais geral, de grande sistematizadora do saber. A crescente aversão à metafísica e a redução equivocada da filosofia a um mero saber técnico e formal (obra de muitos lógicos e linguistas) acabou levando a um enfraquecimento de sua natureza crítica e criadora. Mas, ainda assim ela teve um papel considerável na formação do solo epistêmico do século XX (atestado pela teoria quântica e pela relatividade). Em suma, a filosofia é, e continuará sendo, a ciência que elabora os conceitos e que reflete criticamente acerca do mundo e do próprio conhecimento; uma ciência que opera essencialmente com os fundamentos do saber em geral. Teórica por natureza, nem por isso ela deixa de ter um fim prático – que, neste caso, está relacionado à transformação da própria realidade. Não há verdadeira evolução do conhecimento sem o pensamento e a reflexão (já que, longe disso, todo saber corre o risco de se dogmatizar).
De qualquer modo, quem sofre com tais atitudes são os próprios saberes que, além de se perderem nessa excessiva fragmentação, ainda enfraquecem aquela que sempre foi a sua maior aliada na luta contra o “pensamento religioso” (que costuma infiltrar-se tanto na filosofia quanto nas próprias ciências) e contra os interesses que, só na aparência, estão trabalhando em prol da vida e do progresso humano.
Regina Schöpke - É Doutora em Filosofia pela UNICAMP (2007), Pós-Doutora em Filosofia pela UNICAMP (2010), Mestra em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999) e Mestra em História Medieval pela Universidade Federal Fluminense (1996).
Fonte: Scientific American Brasil – www.sciam.com.br
Disponível em: Covil dos Iluministas http://passarocanaopipila.blogspot.com/2009_10_01_archive.html
19 março 2011
Vassili Kandinsky
(Pintor e teórico de arte russo)
(Nasc.: 04-12-1866, Moscou - Falec.:13-12-1944, Neuilly-sur-Seine, França)
(Pintor e teórico de arte russo)
(Nasc.: 04-12-1866, Moscou - Falec.:13-12-1944, Neuilly-sur-Seine, França)
Kandinsky, um dos principais representantes da arte abstrata, estudou Economia e Direito em Moscou e licenciou-se em 1893. Sua visita a uma exposição de artistas franceses impressionistas foi a experiência que o levou para Munique, em 1896, onde foi aluno de Franz von Stuck. Passou alguns anos em outros países (de 1903 a 1907) e, em 1909, tornou-se presidente da Nova Associação de Artistas de Munique. Em 1910, pintou sua primeira aquarela não-figurativa, inaugurando a pintura abstrata. Para proporcionar à arte uma nova base intelectual, fundou em Munique, em 1911, com Franz Marc, Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), uma associação de artistas que proclamavam, no manifesto Do Espiritual na Arte (1912), a superioridade do espírito sobre os objetos concretos. Durante a Primeira Guerra Mundial, regressou à Rússia, onde, depois da Revolução de Outubro, ocupou uma cátedra na Academia de Arte de Moscou. Para escapar à concepção soviética da arte realista, regressou à Alemanha em 1921, quando iniciou um processo de geometrização em suas obras. Em 1922, foi professor da Bauhaus em Weimar e, em 1928, adquiriu a nacionalidade alemã. Em 1926, publicou Ponto e Linha sobre o Plano, obra fundamental para o processo criativo na arte abstrata. Em 1933, mudou-se para a França, perseguido por nazistas, que consideravam sua obra "arte degenerada".
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